Faça um teste: abra o site da sua empresa, deixe o mouse de lado e tente pedir um orçamento usando só o teclado. Depois, aumente o zoom do navegador para o dobro e veja o que acontece com o menu. Para muita gente, isso não é um teste: é o jeito de usar a internet todos os dias.
Um site acessível é um site que todo mundo consegue usar: quem enxerga pouco, quem não enxerga, quem não consegue usar o mouse, quem não ouve, quem tem dificuldade de leitura. A seguir, quem são essas pessoas, o que a lei diz e sete cuidados práticos para o site da sua empresa atender todo mundo.
De quantas pessoas estamos falando
Segundo o módulo sobre pessoas com deficiência da PNAD Contínua 2022, do IBGE, cerca de 18,6 milhões de brasileiros com 2 anos ou mais têm algum tipo de deficiência, 8,9% da população dessa faixa. A mesma pesquisa mostra que quase metade delas, 47,2%, tem 60 anos ou mais.
E quem se beneficia de um site acessível é muito mais gente. Há os idosos que enxergam pior e têm menos firmeza nas mãos, sem se considerarem pessoas com deficiência. Há quem esteja numa situação passageira, como um braço engessado, e quem esteja numa situação comum, como o celular sob o sol forte ou um vídeo assistido sem som no ônibus. Um texto com bom contraste é mais fácil de ler para todos eles.
O que diz a lei
Além de ser a coisa certa a fazer, a acessibilidade é obrigação. O artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) determina que os sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no país sejam acessíveis, seguindo as melhores práticas e diretrizes adotadas internacionalmente.
A referência internacional é o WCAG, as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web, publicadas pelo W3C, o consórcio que define os padrões da web. A versão atual é a WCAG 2.2. Ela tem dezenas de critérios técnicos e pode parecer intimidadora, mas a maior parte das barreiras que encontramos nos sites de pequenas empresas se resolve com os sete cuidados abaixo.

1. Contraste suficiente
Texto cinza-claro sobre fundo branco é bonito no projeto e difícil de ler na vida real. O WCAG pede um contraste de pelo menos 4,5 para 1 entre o texto comum e o fundo, e de 3 para 1 nos textos grandes. Não precisa fazer a conta: verificadores de contraste gratuitos dizem na hora se a combinação passa.
2. Texto alternativo nas imagens
Quem usa leitor de tela, o programa que lê a página em voz alta, ouve a descrição da imagem no lugar dela. Descreva o que a imagem mostra e por que ela está ali: “Fachada da clínica, com a entrada por rampa” diz muito mais do que “imagem1”. Imagens só decorativas podem ficar sem descrição, para não poluir a leitura.
3. Tudo funcionando pelo teclado
Muita gente navega só com o teclado, pulando de um item para o outro com a tecla Tab. Todos os menus, botões e campos precisam ser alcançados assim, numa ordem que faça sentido, e o item selecionado precisa ficar visível, com um contorno de destaque. Muitos sites removem esse contorno por estética, e quem navega pelo teclado fica sem saber onde está.
4. Títulos bem organizados
Um título principal por página e subtítulos em ordem permitem que quem usa leitor de tela pule direto para a parte que interessa, do mesmo jeito que quem enxerga passa os olhos pela página. Título não é só texto grande: é a estrutura do conteúdo.

5. Links e botões que dizem para onde vão
“Clique aqui” e “Saiba mais”, lidos fora de contexto por um leitor de tela, não dizem nada. Prefira “Ver os planos de manutenção” ou “Baixar o cardápio em PDF”. Fica melhor para todo mundo, e o Google também entende melhor para onde o link leva.
6. Formulários claros
Cada campo precisa de um rótulo visível, e não só de um texto de exemplo que some quando a pessoa começa a digitar. As mensagens de erro devem dizer o que está errado e como corrigir, por escrito, em vez de apenas pintar o campo de vermelho.
7. Legendas e informação além da cor
Vídeos precisam de legenda, e nada deve depender só da cor para ser entendido. “Os campos em vermelho são obrigatórios” não funciona para quem não distingue o vermelho; um asterisco acompanhado da palavra “obrigatório” funciona para todos.
Um teste de dez minutos
Faça hoje três testes no seu site. Primeiro, navegue só com o teclado, da página inicial até o envio de um formulário. Segundo, aumente o zoom do navegador para 200% e veja se o texto continua legível e se nada fica cortado. Terceiro, passe a página inicial por um verificador de acessibilidade gratuito e anote o que ele apontar. Se algum dos três falhar, você já sabe por onde começar. E um bônus: boa parte do que torna um site acessível também ajuda no Google, como mostramos em SEO para pequenas empresas.
Para ir além
- 7 detalhes de design que fazem o visitante confiar no seu site: legibilidade e clareza também passam confiança.
- Site lento custa caro: a velocidade é outra barreira, principalmente no celular.
Sites para todo mundo
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